OFF-STAGE #26: O algoritmo mandou-me fazer um “reset" mental
Neste primeiro episódio do ano, mergulho numa odisseia de autodescoberta e (quase) autofagia. Entre gomas de Lion's Mane, algoritmos racistas e um jejum de 36 horas que prometia o corpo do Wilds.
Meus caros, o ano novo chegou e, com ele, a altura de implementar aquelas ideias brilhantes e planos megalómanos para a BANTUMEN. Desde novembro que o nosso “cinco inicial” anda em reuniões secretas, conspirando para dominar o mundo (ou, pelo menos, o editorial). Em 2025, fizemos mais eventos do que a Bad Company em digressão, e este ano? Ah, este ano vamos focar-nos a 100% no editorial. Diz que sim, Eddie, diz que sim.
Com a cabeça num caco, ando eu a pesquisar formas de melhorar o meu foco, dormir mais horas (quem me dera!) e fazer mais exercício (quem me dera ainda mais!). Mas como nunca é o bastante, ando a investigar a melhor forma de reiniciar a minha cabeça, de forma a estar melhor neste ano, melhorar a minha criatividade (que, sejamos honestos, às vezes parece que foi de férias sem avisar), a minha lentidão (que já rivaliza com a velocidade da luz em sentido contrário) e, claro, o meu pensamento lógico (que, por vezes, decide ir passear sozinho).
No ano passado, dei umas passas de erva. Sim, eu sei, choque! Mas, segundo os criativos e artistas que andam por aí, é um bom ponto de partida para a iluminação. Só que, ao contrário deles, a erva em mim deixa-me mais lento, mais calmo e muito menos racional. E eu, meus amigos, não tenho talento nenhum para viver em slow motion. A minha vida já é um filme de ação com buffering constante, não preciso de mais lentidão.
Andei também a pesquisar suplementos naturais que surgiram num post do X, o antigo Twitter: as gomas de Lion’s Mane, um suplemento alimentar feito a partir de um cogumelo medicinal. O nome científico é Hericium erinaceus. São cogumelos usados há séculos na medicina tradicional asiática, sobretudo pela sua ligação à saúde do cérebro e do sistema nervoso. Estas gomas são normalmente usadas para apoiar a memória e a concentração, estimular a função cognitiva (foco, clareza mental), ajudar na saúde do sistema nervoso, reduzir a fadiga mental e apoiar o bem-estar geral. Alguns estudos indicam que o Lion’s Mane pode estimular o NGF (Nerve Growth Factor), uma proteína importante para os neurónios. Cada caixinha custa cerca de 27 euros e isto pareceu-me perfeito para mim. Afinal, quem não quer um cérebro de génio por menos de 30 paus?
Paguei um aplicativo de exercícios que não parava de me aparecer nas sugestões da Apple Store e, de repente, tinha as minhas escolhas feitas. Ou melhor, tinha o algoritmo a fazer as minhas escolhas, seja para os exercícios, seja para os suplementos naturais. E eu, na minha ingenuidade, questionei-me: será que um homem com a minha idade começa o ano a realizar tarefas ditadas por algoritmos que aprendem com dados de pessoas brancas apenas (o que é racista, convenhamos) e que acabam por reproduzir e amplificar preconceitos contra pessoas negras? A resposta, meus amigos, é um retumbante “sim, aparentemente sim”.
E para começar o processo de restauro de corpo e mente, iniciei um jejum de 36 horas. Segundo o nutricionista que apareceu no feed do meu Instagram (e que, presumo, também era branco e algorítmico), é a melhor forma para um homem com 40 anos, 1,60 m de altura e 74 kg. Um jejum intermitente de 36 horas pode ser entendido não como uma “prova de força”, mas como uma ferramenta de reeducação do corpo e da mente, integrada num objetivo maior: viver de forma mais saudável. E lá comecei o jejum prolongado. O que eu esperava era que um corpo gordo como o meu entrasse numa mudança importante e que, no fim de 36 horas, eu acordasse com o corpo do Wilds Gomes, mas sem o mesmo número de filhos.
Segundo a minha pesquisa (leia-se: o que o algoritmo me disse), nas primeiras horas de jejum o corpo utiliza a energia dos alimentos recentes. Quando essa energia termina, começa a recorrer às reservas de gordura. Este processo não é apenas sobre emagrecer, é uma adaptação metabólica que ensina o corpo a ser mais flexível, a não depender constantemente de açúcar e de picos de insulina. Com o tempo, isto pode melhorar a sensibilidade à insulina, ajudar a controlar o apetite e reduzir aquela vontade constante de comer por impulso. Ao fim de cerca de 24 horas, imaginava-me a ter já alguns gomos de abdominais e aí sim o organismo começaria a entrar num estado de “manutenção interna”: a chamada autofagia, um processo natural em que o corpo elimina células danificadas e recicla componentes que já não funcionam bem. Isto está associado à saúde celular, à prevenção de inflamações crónicas e a um envelhecimento mais saudável. Não é algo mágico nem imediato, mas é um mecanismo real que se torna mais ativo com períodos de descanso alimentar.
Outro ponto importante é o efeito no sistema digestivo. O jejum dá um descanso ao intestino, ao fígado e ao pâncreas, órgãos que normalmente trabalham sem parar quando a alimentação é frequente e rica em produtos ultraprocessados. Quando regressas à alimentação com comida mais simples e natural, o corpo responde melhor, digere melhor e regula-se com mais facilidade. A nível mental, o nutricionista explicou que muita gente relata maior clareza, foco e disciplina. Isto acontece porque o jejum obriga a uma relação mais consciente com a comida. Deixas de comer por hábito, stress ou tédio e passas a escolher melhor o que comes. Para alguém que quer ir ao ginásio e mudar o estilo de vida, esta disciplina mental é tão importante quanto o exercício físico. Eu estava convencido e, como já estou no processo de corrida semanal e treinos regulares no ginásio, este jejum poderia ajudar-me a melhorar a composição corporal, menos gordura e melhor aproveitamento da massa muscular, e abrir a minha vontade antiga de abraçar uma alimentação mais saudável, largar as comidas processadas e todas as merdas que dizem que fazem mal, e passar a comer apenas comida saudável nos dias sem jejum, nutritiva, rica em proteína, legumes, fruta, gorduras boas e hidratação adequada. Claro que o jejum não substitui a boa alimentação, ele vai potencializar uma alimentação melhor, eu a convencer-me.
No interior da minha cabeça, o mais importante não é o jejum em si, mas o que ele representa: uma escolha consciente de cuidar do corpo a longo prazo, com equilíbrio, consistência e respeito pelos sinais do próprio organismo.
Fiz a última refeição entre as 10 e as 11 horas e o plano daqui para a frente era levar a vida normal, bebendo apenas água e talvez algum chá. Nas primeiras seis horas, confesso que foram fáceis, nenhum mistério. Já tinha o hábito de fazer a última refeição às 20 horas (jantar) e a primeira do dia depois das 10 da manhã, então pensei que estava minimamente pronto para enfrentar 36 horas. Passava das 21 horas, já com a barriga à procura de mais alguma coisa para comer, com um barulho que me fazia lembrar o vibrar dos antigos telemóveis Nokia 3310. Vou para a cama numa de ajudar o tempo a passar e o sono a levar-me até ao dia seguinte. Começo a fazer scroll no Instagram e surge-me um vídeo de uma senhora argentina a viver na Suíça que estava a ensinar como se faz um vazio assado no forno.
A senhora começou por tirar a peça de vazio do frigorífico com alguma antecedência, meia hora, quarenta minutos, o tempo suficiente para a carne deixar de estar fria ao toque. Coloca-la em cima da bancada e, sem grandes cerimónias, espalhas sal grosso por toda a superfície, com a mão aberta, como quem já sabe que não precisa de mais nada. Nada de marinadas, nada de molhos nesta fase, explicava a senhora num francês misturado com espanhol. Eu olhava para o ecrã do meu iPhone 17, com cerca de 6,27 polegadas, completamente imerso. Parecia que estava na cozinha da senhora, que estava a olhar para mim e a dizer: “Aquí la calidad de la carne habla por sí misma”.
O vídeo começa devagar, quase sem pressa, como o próprio forno. Vês o botão a rodar até aos 160 graus e, mesmo sem som, já consegues imaginar aquele clique seco. Não é um forno nervoso. É um calor paciente, constante, que se instala na cozinha como quem sabe exatamente o que está a fazer. A câmara aproxima-se do tabuleiro largo. A carne é pousada com cuidado, a gordura virada para cima, branca, espessa, ainda firme. Não há azeite a brilhar, não há água a escorrer. Tudo ali parece cru, silencioso, mas promissor. E quando o tabuleiro entra no forno, há um instante suspenso antes da porta fechar. É aí que tudo começa, mesmo sem mexer.
Os primeiros minutos passam e o cheiro ainda é tímido. Um aroma quente, quase doce, que não é bem carne ainda, é só a promessa dela. Depois, lentamente, começa a mudar. A gordura começa a derreter e o cheiro torna-se mais redondo, mais profundo. Já não é só calor, é corpo. É um cheiro que se cola às minhas enormes narinas, que fica no fundo da garganta, como se a cozinha estivesse a respirar contigo. À medida que o tempo avança, sentes o aroma a ganhar peso. Há uma nota tostada no ar, mas não agressiva, nada queimado. É um cheiro limpo, honesto, que mistura gordura quente, carne a assar e aquele fundo ligeiramente fumado que lembra grelha, mesmo sem fogo direto. Dá vontade de fechar os olhos só para perceber melhor: o estalar quase impercetível da gordura, o vapor quente a subir quando alguém abre o forno por um segundo para espreitar. A carne encolhe ligeiramente, a superfície começa a ganhar cor e o cheiro acompanha essa transformação. Fica mais quente, mais envolvente, quase confortável. É um aroma que ocupa a casa, entra nos tecidos, fica nas mãos, no cabelo. Um cheiro que não grita, mas insiste. Que não pede pressa. Que diz, sem palavras, que está tudo a acontecer como deve ser. E ali, mesmo só a ver um vídeo no Instagram, sentes que não estás apenas a assistir. Estás dentro da cozinha. Estás a respirar aquela carne. Estás à espera. Porque sabes que o melhor ainda vem, e o cheiro já te contou essa história toda.
Ao fim de cerca de cinquenta minutos, tiras o tabuleiro, viras a carne com calma e voltas a metê-la no forno por mais quinze ou vinte minutos. Não é para secar, é só para equilibrar o cozinhado. Se vires que o forno está muito suave e a carne ainda pálida, podes subir a temperatura nos últimos dez minutos, até aos 200 graus, só para dar aquela cor mais tostada por fora. Quando tiras o vazio do forno, não o atacas logo. Deixas repousar uns bons dez minutos, pousado no tabuleiro ou numa tábua. É aí que os sucos se reorganizam, que a carne acalma. Se cortares antes, perdes tudo. Depois cortas sempre contra as fibras, em fatias médias, sem pressa. Vais notar que por dentro está suculento, macio, com sabor limpo de carne bem assada. Eu salivava muito, pronto para ir buscar o meu prato para quebrar o jejum que ainda nem durava 12 horas, quando começo a ouvir um barulho de fundo, como se fosse o som do frigorífico quando fica muito tempo aberto. Pouso o prato e dirijo-me em direção ao frigorífico que está a gelar a cozinha. É quando me apercebo que adormeci com a janela aberta e que estavam menos dois graus e muita neve do lado de fora. Que sonho horrível. Já eram 7 da manhã. Fui à cozinha beber dois copos de água de 300 ml. Até tentei fazer algum exercício, mas o meu corpo estava sem energia, mal conseguia levantar um halter de 10 quilos. Motivação no mais alto nível. Agora só faltavam menos de 18 horas para terminar o maldito jejum. Banho tomado, vou levar a minha criança e as crianças dos vizinhos à escola, que fica a cerca de 7 minutos de casa a pé, mas com a neve, com 4 crianças entre os 5 e os 9 anos, tivemos de andar devagar. Até porque também era a minha primeira vez a andar sobre neve. Senti-me em The Land of Always Winter, a região mais a norte do universo de Game of Thrones. Quando mais próximos da escola, cruzámo-nos com um monte de White Walkers (Caminhantes Brancos), outros pais que também levavam os seus filhos para a escola, e eu com os meus 4 Dragonglass.
Pela manhã, tínhamos a primeira reunião editorial via Google Meets: Joana, Marisa, Vanessa e Wilds, com a sua filha mais nova, Nala. Estamos a dividir o ano em quatro, com planos trimestrais. Este ano, estamos a reformar a equipa em Angola com o João António e o Mário Damião, um para assumir a redação e o editorial nacional e outro para dar suporte na Agenda Cultural, apoio direto à Joana.
Entre a conversa editorial e a conversa de livro, passaram mais umas tantas horas e já eram 14 horas. Faltava cada vez menos tempo para as 23 horas e confesso que o meu corpo já estava bem, sem pensar em comida. Comecei a fazer umas correções no vídeo em parceria com o Auchan, que tinha de publicar nessa tarde com a Ângela Almeida. É bom para caraças ter parceria com uma grande marca. A pressão é enorme e o ano de 2025 foi bom: fechámos com a Fundação Calouste Gulbenkian, Natixis – Sucursal em Portugal e com o Auchan. Espero que este ano cheguem mais marcas.
Eu sou tão fiel à nossa parceria com o Auchan que, mesmo tendo supermercados perto de casa como o G20, o Franprix e o Lidl, todos eles a menos de 1 quilómetro de casa, vou sempre até ao Auchan, que fica a mais de 2,5 km de distância. Como nunca leio o contrato inteiro, fico com medo de alguém me ver a sair do Lidl e lixar tudo, e por precaução só frequento o Auchan.
Já com o vídeo da Ângela Almeida no Instagram, passavam das 18 horas, e fui buscar a minha criança à escola. As aulas terminam às 16 horas, mas ela tem reforço até às 18. Assim, está menos tempo em casa e mais focada nos estudos, e fico sem uma mini Ludmilla em casa a cantar de 5 em 5 minutos.
Passei pela padaria quase por reflexo, só para comprar pão para o lanche da tarde da criança. Um gesto simples, automático. Mas assim que empurrei a porta, fui atingido por aquele cheiro que não pede licença. O cheiro do pão acabado de sair da fornalha. Não era um cheiro qualquer. Era pão pita sírio, ainda vivo de calor. O aroma vinha em ondas, quente, húmido, com aquela nota ligeiramente tostada que só o pão feito a sério tem. Cheirava a trigo, a fermento bem trabalhado, a forno antigo. Um cheiro que entra pelo nariz e desce devagar, como se quisesse ficar no corpo.
O calor era quase visível. Sentia-se no ar, a envolver o rosto, as mãos, como se a padaria estivesse a respirar. O pão ainda libertava vapor, aquele bafo quente que faz lembrar infância, cozinha cheia, comida que não tem pressa. Era impossível não imaginar o toque: a superfície macia, flexível, quase elástica, e o interior ainda húmido, pronto a rasgar-se com os dedos. Atrás do balcão, a senhora da padaria movia-se com uma calma que só quem conhece bem o seu ofício tem. Tinha as mãos ligeiramente enfarinhadas, o avental marcado pelo trabalho do dia. Havia nela um orgulho silencioso, quase maternal, enquanto organizava os pães, como quem sabe que acabou de criar algo que vai fazer alguém feliz. O forno ainda estava quente e isso sentia-se até na forma como ela se aproximava dele, respeitosa, habituada àquele calor.
E ali, no meio daquele cheiro todo, veio o pensamento inevitável: uma fatia daquele pão pita, ainda morno, aberta ao meio, com manteiga Président a derreter lentamente. A manteiga a brilhar, a escorrer ligeiramente para os lados, a misturar-se com o calor do pão. O cheiro ia mudar outra vez, a ficar mais rico, mais cremoso, quase indecente. Era fácil imaginar a primeira dentada, o contraste entre a maciez do pão e a gordura suave da manteiga, tudo a desfazer-se na boca. O corpo reagiu antes da cabeça. A fome apareceu não no estômago, mas na memória, no desejo. Mesmo em jejum, mesmo sabendo que não podia, o cheiro fazia o trabalho dele. Era um convite insistente, quase cruel.
Já só faltavam 5 horas. Já tinham passado 31 horas desde que tive esta infeliz ideia. A minha cabeça já rodava, já me sentia um merdas e questionava-me como o Luaty Beirão passou 36 dias sem comer em protesto contra a sua prisão preventiva e a de 14 outros ativistas, acusados de tentarem um golpe de Estado em Angola. Comecei a refletir, a pensar que se eu chegasse às 36 horas seriam 23 horas e não fazia sentido comer a essas horas. Para isso, decidi que comeria no dia seguinte às 10 e assim faria 48 horas. Já seguiam dois dias, muito longe dos 36 dias do Luaty, mas mais 2880 minutos, e sim, vocês conseguem perceber que é muito tempo.
Desliguei o computador por já não conseguir estar no PC. Sentei-me na sala enquanto tinha a Joana e a Vanessa na cozinha. Estou na sala, sentado, a tentar convencer o corpo de que o jejum de 32 horas é disciplina e não castigo. A televisão está ligada, mas não estou realmente a ver nada. O que ocupa o espaço é o cheiro que vem da cozinha, onde estão a Vanessa e a Joana a fazerem o jantar. Nada mais nada menos do que picanha no forno. Meu Deus, picanha no forno. Eu juro que quero ser vegetariano.
A picanha está a assar no forno, a trabalhar devagar, e o aroma chega até mim em camadas. Primeiro a gordura quente, profunda, quase doce. Depois a carne a assar, a ganhar corpo, aquele cheiro denso que se instala no ar e não sai. É um cheiro que não pergunta se podes comer, apenas afirma que a comida está pronta para ser desejada. A cada vez que a porta do forno se abre, o cheiro intensifica-se, quase físico. Sinto-o no peito, no fundo da garganta. A gordura a derreter, a carne a tostar, tudo a acontecer no tempo certo. Ao lado, a salada de grãos de trigo traz um contraste fresco: imagino o trigo macio, soltinho, talvez com cebola, ervas, um toque ácido que corta a riqueza da carne. Mesmo sem ver, consigo sentir a combinação a equilibrar-se.
Estou em jejum, sei disso. Trinta e duas horas sem comer. Mas o corpo começa a negociar. O estômago acorda, a boca enche-se de saliva, a cabeça já não está tão firme. O convite chega de forma simples, quase casual, vindo da cozinha. Não há insistência. E talvez por isso seja impossível recusar. Levanto-me. É um gesto pequeno, mas definitivo. O jejum cai ali, sem drama, sem culpa. Sento-me à mesa e, na primeira dentada, o corpo reconhece o que lhe faltava. A picanha está suculenta, quente, a gordura no ponto. O trigo equilibra, limpa, reconforta. Depois de 32 horas, não é apenas comida. É rendição. É prazer. É voltar a comer com consciência absoluta de cada sabor.
Nunca me senti tão culpado na minha vida. Como eu não resisti, lembrei-me do Sultanato de Zanzibar em 1896, que “não resistiu à batalha” tradicional, mas sim a um bombardeamento britânico. Onde o reino “caiu” e se rendeu em apenas 38 minutos após o primeiro tiro, sendo a guerra mais curta da história. Sinto-me igual e envergonhado. O meu primeiro objetivo do ano caiu em menos de 32 horas. Não consegui resistir nem às indicações do algoritmo.
O que me questiono é como vai ser o resto do ano se a mais simples tarefa não foi cumprida. O que vocês vão pensar de mim, o que vocês não pensam dos meus princípios, como vai ser dirigir a BANTUMEN se não consigo dirigir a minha própria vida. Se já tiverem feito as pazes comigo, considerem subscrever a versão paga da newsletter. É a vossa forma de nos ajudarem a continuar a desvendar estes nossos bastidores e a trazer-vos histórias que importam.
Até ao dia 26 de Janeiro!
Abraços







