OFF-STAGE #31 Vlogs, Memória e a Arte de Ligar a Câmara (Mesmo Quando Não Apetece)
Meus caros, já pararam para pensar no que acontece quando não registamos o caminho?
Meus caros, já pararam para pensar no que acontece quando não registamos o caminho? A BANTUMEN está prestes a celebrar 11 anos de existência. Olhamos para trás e, sim, temos algumas fotografias perdidas em discos rígidos, mas não temos vídeos. Não temos o movimento, o som das discussões, a energia das ideias a nascerem. Aos 40 anos, percebi que a memória é traiçoeira e nem tudo fica guardado na “nuvem” do cérebro. Por isso, decidimos: daqui para a frente, vamos documentar tudo.
Pessoalmente, sou viciado em vlogs. Passo horas no YouTube a seguir o trabalho do MKBHD e da sua equipa no The Studio. Fico fascinado com a forma como eles mostram os bastidores, a técnica e o dia-a-dia. Estamos longe desse nível de produção (por enquanto), mas o alinhamento já lá está.
Para quem respira cultura Hip Hop, isto não é novo. Há 14 anos, a Maybach Music Group do Rick Ross lançava o seu primeiro vlog na “I Am Still Music Tour”. Mas se quisermos ir à génese, temos de falar do documentário do Kanye West na Netflix. O Clarence “Coodie” Simmons, no final dos anos 90, ficou tão impressionado com a confiança daquele jovem produtor que largou a carreira na TV, pegou numa câmara e seguiu o Kanye para Nova Iorque. Foram 19 anos de gravações. Dezanove anos! Isso é que é visão.
Na BANTUMEN, somos um arquivo. Documentamos as culturas que nos ligam e, agora, começámos finalmente a documentar a nossa própria história. O que nos move a acordar todos os dias e a fazer isto acontecer? Já vamos no sexto episódio do nosso vlog e tem sido uma mistura de momentos épicos e chatices burocráticas: reuniões intermináveis, coberturas de eventos e a vida como ela é.
Eu e o Wilds somos os que mais vezes ligamos a câmara, mas a equipa já entrou na “vibe”. A Marisa, por exemplo, odeia as minhas thumbnails feitas com Inteligência Artificial (diz que são foleiras, e se calhar tem razão), mas é quem tem mais talento natural em frente à lente. Não é só a formação dela como apresentadora; é talento puro. Ela descontrai, articula e domina a cena, mesmo com uma Sony A7 IV a apontar-lhe ao nariz.
A Vanessa também já percebeu a importância disto. Ela sabe que mal temos registos nossos a trabalhar. Imaginem se tivéssemos vídeos das nossas reuniões na Maianga, em Luanda, há 12 anos, com o Décio e o Danilson, quando ainda estávamos a tentar decidir o nome deste projeto. Esse material seria ouro hoje.
Os vlogs estão no canal principal da BANTUMEN. Sim, o mesmo canal onde estão os artigos, as entrevistas e os podcasts. Pensámos em criar um canal secundário, mas sejamos realistas: temos o canal há mais dez anos e ainda não chegámos aos 50 mil subscritores. Não faz sentido dispersar a audiência agora.
Já apresentámos o Nuno Silva, o nosso mestre do multimédia; mostrámos a Joana na exposição do Kid Cudi; e a Marisa a receber as chaves do nosso novo espaço em Lisboa que, muito em breve, será o nosso quartel-general e o cenário principal de todas estas histórias.
Este episódio é, acima de tudo, um convite. Quero que subscrevam o canal de YouTube da BANTUMEN e sigam de perto os bastidores desta equipa que se recusa a ficar calada.
Obrigado por seguirem o Off-Stage. Estas são as minhas histórias, escritas na primeira pessoa, sobre o que vivo nesta aventura chamada BANTUMEN. E já sabem: se este conteúdo faz sentido para vocês, considerem tornar-se assinantes premium. Por 5 euros por mês, ajudam este “jovem” a continuar a trazer-vos os bastidores sem filtros.
Abraços,



